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Projecção de "Pedra leva, água vai", de Sofia Leite

O Festival Literário de Macau – Rota das Letras, em parceria com a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM), projecta amanhã, dia 21 de Março, pelas 21h30, no Clube Militar, o documentário "Pedra leva, água vai", de Sofia Leite.

SOBRE O FILME:
Desde cedo os primeiros colonos constataram que o sul da ilha era mais fértil, mas a água estava do lado norte e no interior montanhoso, ambos de acesso difícil. 
Era preciso levar a água onde esta fazia falta. Os ilhéus conceberam então um engenhoso sistema de irrigação, que veio a mudar a paisagem da ilha, e tornou-se num património cultural. Construíram as primeiras levadas, que transportavam água das nascentes mais acima nos montes até às suas terras. A primeira legislação a regulamentar a utilização das levadas e os direitos de água data da segunda metade do século XV.
A acessibilidade e a extensão destes cursos de água tornaram-nos num monumento notável e único. Uma prova viva do engenho, da coragem e determinação de quem concebeu e dos muitos que ergueram estes aquedutos talhados na rocha. Hoje, estes caminhos de irrigação contam com uns impressionantes 2100 quilómetros. Uma obra começada há quase seis séculos.
No primeiro quartel do século XX, existiam 200 levadas que percorriam cerca de 1000km. Muitas pertenciam a particulares e a apropriação indisciplinada de água fazia com que este bem valioso fosse frequentemente distribuído de forma injusta. Em meados da década de 1930, apenas dois terços da terra arável da ilha eram cultivados - e desses, apenas metade eram irrigados. Só o Estado possuía os meios económicos necessários para implementar um programa de construção em larga escala e a autoridade para impor um sistema mais equitativo de distribuição.
Em 1939, o governo envia uma missão à ilha para estudar um plano hidroelétrico e de irrigação. Em 1943 é criada a Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira que lança um ambicioso plano de construção de levadas.
Os canais criados a partir deste plano são captadas a uma altitude que pode ultrapassar os 1000m, onde é maior a concentração de precipitação e de nascentes. A água é levada primeiro para centrais elétricas situadas imediatamente acima da terra arável e depois segue o seu caminho descendo para as zonas irrigadas. Aqui, a distribuição é feita pelo levadeiro, o responsável pela manutenção das levadas.
O empreendimento demorou 20 anos a completar. A ambiciosa obra lançada em 1947 termina vinte anos depois. A rede de levadas cresceu de 1000 para 1400 km. Frequentemente, os trabalhadores eram suspensos do alto em cestos de vime, enquanto atacavam a pedra resistente com as suas picaretas. Muitos perderam a vida para levar água e eletricidade à ilha. Como terão sido escavados os túneis em basalto sólido? Como escavaram os trabalhadores as levadas por baixo de cascatas geladas, a meio caminho entre a terra e o céu? Quem eram estes homens que imaginaram e conceberam estes caminhos de água? Quem eram os que os romperam?
Este documentário pretende responder a estas perguntas e contar a épica história da construção das levadas, dos homens que as inventaram e daqueles que as construíram.

luis almoster